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Bento Gonçalves está entre as dez cidades com maior evasão escolar do Estado

Em 2017, o município registrou quase 1 mil FICAIs somando escolas da rede pública estadual e municipal. Dentre os motivos, destacam-se a resistência do aluno, a suspeita de negligência e a migração.

08 Ago. 2018 às 14:55

Os números de evasão escolar no Rio Grande do Sul são alarmantes. Segundo o Censo Escolar, foram registrados mais de 7 mil alunos infrequentes no primeiro semestre de 2018. O número anual de 2017 é ainda mais assustador. De acordo as Fichas de Comunicação do Aluno Infrequente (FICAI), no total, foram mais de 58 mil registros. Em Bento Gonçalves, foram 976 FICAIs registradas, colocando o município entre as dez cidades com maior número de evasão escolar no Estado. 

As FICAIs são feitas de forma online pelas próprias escolas, as quais possuem um processo de busca desses alunos infrequentes antes de registrar uma FICAI. Após três dias de infrequência sem justificativa do aluno, a escola entra em contato com os responsáveis com o objetivo de conhecer o motivo. Passados cinco dias sem localizar o aluno, a escola registra a FICAI.

Os números de FICAIs de 2017 disponibilizados pelo Ministério Público demonstram que mais de 50% dos registros têm como motivo a resistência do aluno. A maior taxa de evasão escolar corresponde aos alunos da rede estadual de ensino em Bento Gonçalves. A incidência de alunos infrequentes ocorre no turno da manhã e da noite, na faixa etária de 13 anos a 17 anos, na qual se acentua o número de evasão em comparação aos anos anteriores.  O 6º ano do Ensino Fundamental, e o 1º ano do Ensino Médio são os períodos com maior evasão escolar no município.

De acordo com o conselheiro tutelar Leonides Lavinicki, a evasão escolar é a maior demanda de trabalho do Conselho Tutelar em Bento Gonçalves. Aproximadamente 30% dos alunos encaminhados ao Conselho Tutelar retornam às escolas. Dentre as soluções propostas pelo conselheiro, o poder executivo deve fazer projetos sociais junto aos responsáveis e as escolas devem se modernizar para incentivar e motivar o aluno. “Os gestores municipais devem fazer a busca ativa desses alunos, fazer projetos de contraturnos escolares que exijam atestado de frequência, e claro, combater o pai da evasão, que é o tédio. As escolas devem se modernizar, buscar inovações na área da informática”, afirma Lavinicki.

Muitos casos de evasão escolar também são encaminhados ao ministério público. Segundo o Promotor do Ministério Público de Bento Gonçalves, Élcio Rasmini Menezes, atualmente estabeleceu-se um distanciamento entre a família e a escola. “A evasão escolar reflete a ausência de reconhecimento da escola como um espaço social de convivência e aprendizado, estabelecendo-se o distanciamento de instituições (família e escola) fundamentais para a construção coletiva de uma sociedade. A escola talvez nunca tenha sido atrativa. Os valores, como o respeito, a disciplina, o acolhimento, o pertencimento, entre outros, talvez tenham mantido em pé esta relação, desagradando-se com o tempo porque ingressamos na Era do "Eu", do "Meu" direito, da "Minha" liberdade”, ressalta o promotor. 

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Para o promotor, a solução é promover um trabalho integrado de políticas públicas e segmentos sociais para propor um futuro aos jovens. “Não serão fichas de comunicação de evasão que mudarão esta nova e infeliz cultura. Acredito no trabalho integrado das políticas com os segmentos sociais que pertencem às comunidades como único mecanismo capaz de reerguer o coletivo de propor projetos de futuro aos jovens”, explica Élcio. 

Migração é uma das principais causas da evasão escolar em Bento Gonçalves

O grande número de migração em Bento Gonçalves é uma das principais consequências da alta taxa de evasão escolar no município, tanto na rede municipal como na rede estadual de ensino público. Prova disso é o expressivo número de pedidos de matrícula neste ano após o encerramento do período de inscrição às escolas estaduais. Segundo números disponibilizados pela 16ª Coordenadoria Regional de Educação (16ª CRE), foram registrados 864 pedidos de matrícula em Bento Gonçalves. 

Nas escolas municipais, entre o período de março e julho, exatamente 200 FICAIs foram registradas. Dentre os motivos, destacam-se a resistência do aluno, que corresponde a um total de 116 FICAIs, Distorção idade-série, suspeita de negligência, e “outros”, na qual se encaixa os alunos que deixam a cidade sem avisar as instituições de ensino. 

Segundo a secretária municipal de educação, Iraci Luchese Vasques, o número de FICAIs não corresponde corretamente totalmente ao número de evasão escolar, pois muitos desses alunos infrequentes não localizados, principalmente em decorrência da migração, já podem ter voltado às escolas. “Este número, não vou dizer que é fictício, mas é errôneo porque muitos poderão já estar em escolas e muitos realmente não voltaram”, afirma Iraci.

Além disso, a secretária salienta que o número mais evidente de FICAIs está situado em zonas de vulnerabilidade social. “Três escolas nas quais têm os números mais evidentes são três instituições de ensino em zonas de vulnerabilidade. Além de serem zonas de uma migração muito grande, nós temos a vulnerabilidade, alguns garotos de 15 anos já saem para o trabalho, e a escola tenta resgatá-los. E aparece esse motivo “outros” ou resistência do aluno”, ressalta a secretária de educação.

Dentre uma das soluções tomadas pelo poder público foi promover classes de aceleração, nas quais alunos que sofrem da distorção idade/série possam acelerar seu aprendizado para avançar de uma forma melhor no ensino. “Instituímos nesse ano as classes de aceleração. O aluno tem aulas diferenciadas para tentar acelerar a aprendizagem dele para ele avançar mais fácil. São salas que tem alunos de 14, 15 anos, que estariam lá nos anos iniciais”, explica Iraci. 

O coordenador da 16ª CRE, Leonir Razador, afirma que grande parte da evasão escolar ocorre em períodos de transformação no currículo escolar, como é o caso da mudança do 5º para o 6º ano e propriamente do ensino fundamental para o ensino médio. Além disso, também ressalta a migração como um dos principais fatores que faz, por consequência, o número de FICAIs aumentar. “Bento é uma cidade de migração. Temos uma expressiva busca por vagas de matrículas neste ano, sem contar que muitos desses pedidos, muitos chegam à cidade nessa semana, se instalam nessa semana, e na próxima já estão indo embora, e não comunicam onde foram. A matrícula fica na escola, e isso incrementa esse somatório”, afirma Leonir.

Assim como a rede municipal, as escolas estaduais também promovem discussões sobre inovação ao ensino com os professores a fim de encontrar as melhores medidas para a motivação e a atração dos alunos à frequentar as escolas e dar sequência ao seu currículo escolar. Dentre as soluções, as classes de Educação de Jovens e Adultos (EJA), o Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja) e o Encontro Nacional de Educação de Jovens e Adultos (ENEJA) são algumas formas que contribuem para o melhoramento e a evolução da aprendizagem aos alunos, beneficiando tanto o profissional de ensino como o aluno. 

Fotos: Divulgação

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