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45 dias de luta: torcedor icônico do Esportivo vence batalha contra Covid-19

Moacir João Menegotto, de 69 anos, que acompanha o alviazul desde a década de 1970, enfrentou o coronavírus durante 45 dias de internação e, no final, saiu vitorioso.

04/07/2020 11:15

No dia 30 de maio de 1979, o Esportivo recebeu o Grêmio no confronto em que ficou marcado na história como “o Jogo da Neve”. Dentre os espectadores estavam Moacir João Menegotto e sua esposa, a Dona Neusa Maria Menegotto, presenciando o empate em 0 a 0 no Estádio da Montanha. E foi nos anos áureos do Esportivo que Moacir iniciou sua história ao lado do alviazul. Hoje, aos 69 anos, o torcedor icônico do clube, sobretudo pela sua gigantesca coleção de camisas, venceu a batalha contra o coronavírus após 45 dias de internação, demonstrando que ainda terá muito o que vivenciar na história do clube centenário de Bento Gonçalves. 

Desde muito jovem, Moacir se mostrou um torcedor assíduo e engajado com o clube ao exercer a função de gandula nos jogos da “Velha” Montanha e auxiliando no trabalho do “Seu Longhi”, que era roupeiro do Esportivo na época. “Meu pai trabalha voluntariamente desde a inauguração do estádio novo, em 2004, mas antes disso, quando era mais jovem, ajudava o roupeiro na Montanha Velha. Frequenta os jogos desde pequeno, é torcedor fanático do Clube Esportivo, não falta um jogo”, explica o filho Maikon Menegotto. 

A paixão pelo clube passou de pai para filho. Da mesma forma que Moacir, Maikon também já foi gandula do Esportivo e, atualmente, exerce a função de preparador de goleiros nas categorias de base do aviazul. “Segui os passos do meu pai e íamos aos jogos juntos desde a Montanha Velha, e agora na nova vamos aos jogos e cuidamos do vestiário dos visitantes. Passou de pai pra filho e ainda continuamos fiéis ao clube do coração”, pondera Maikon. 

Mas, além de seu envolvimento com o Esportivo, Moacir possui algo peculiar, e que o tornou icônico entre os torcedores do clube. Desde sua juventude coleciona camisas de futebol, que ganhou de atletas e dirigentes. Moacir possui  uma coleção vasta, que conta com diversos mantos históricos, inclusive do Esportivo, preservando a história do clube através das camisas do clube.

A mais antiga de seu acervo é a camisa do Éder Alexio, do Grêmio de 1977, que ele ganhou quando o alviazul recebeu o tricolor no Estádio da Montanha. Do Esportivo, Moacir conta com diversos mantos, em especial a camisa de 1983, com o patrocínio da empresa Pozza. Na sua coleção, também conta com a camisa do goleiro Benítez, do Internacional, também de 1983. O seu filho deu continuação ao acervo e, atualmente, a coleção já conta com um total de 1.300 camisas.

Camisa do ex-jogador Éder, do Grêmio, de 1977; camisa do Esportivo de 1983; e camisa do goleiro Benítez, do Inter, de 1983, são algumas das principais relíquias da coleção de Moacir. Foto: Arquivo pessoal

No jogo pela vida, Moacir venceu

Neste ano, o fanático torcedor alviazul enfrentou 45 dias de internação para combater o novo coronavírus. Internado no dia 10 de maio, Moacir, que antes já apresentava comorbidades, sofreu inúmeras complicações e seu estágio de saúde devido ao coronavírus tornou cada dia ainda mais angustiante para a família. “Foram momentos de angústia e sofrimento”, relata o filho.  

Moacir foi transferido para Campo Bom, pois na ocasião não havia em Bento aparelho para diálise móvel. Ele foi sedado e teve sua respiração auxiliada através de ventilação mecânica. “Eu e minha mãe ficamos 14 dias em casa isolados. Como ele estava longe de nós em Campo Bom ligávamos uma vez por dia para lá para saber como ele estava reagindo. É muito triste passar pelo que nós passamos. Depois dos 14 dias começamos a ir visitar ele, apenas meia hora por dia, e só através de um vidro de acesso podíamos ver ele”, explica Maikon. 

O filho relata que o pai passou por diversas dificuldades durante os 45 dias de internação, o que tornou a angústia ainda maior. Quando apresentou evolução no seu quadro de saúde, houve a retirada do auxílio da ventilação mecânica e obteve melhora gradativa ao longo dos últimos dias. “Colocaram traqueostomia e a sonda, aí começou a reação dele. Com fisioterapias começou a sentir a presença da equipe médica, a escutar e aos poucos foi acordando”, comenta. 

Após 45 dias, Maikon, sua família e toda equipe médica vibraram com o triunfo de Moacir, que passou por um corredor aplaudido e segurando um papel com a frase “Eu venci o coronavírus”. O vídeo viralizou nas redes sociais e foi apresentado por diversos telejornais . “Foi um sentimento de vitória, de muita alegria ver que toda aquela angústia, tristeza, saudade, estava aos poucos se tornando alegria, sorriso no rosto de novo, um alívio”, relata Maikon. 


Moacir recebeu alta no dia 25 de julho e segue se recuperando em Bento Gonçalves, no Hospital Tacchini. Mesmo com os testes para Covid-19 negativados, o que representou estar curado do coronavírus, Moacir ainda pode se contaminar novamente, uma vez que os testes realizados indicaram que ele não adquiriu anticorpos contra o vírus. 

Com a conquista de sua maior vitória, derrotando um adversário invisível, Moacir agora terá a oportunidade de vivenciar muitos feitos do seu clube do coração e ver a sua coleção de camisas aumentar ainda mais. Maikon deseja novamente contar com o seu pai na próxima temporada para voltar à Montanha dos Vinhedos, auxiliar o clube como tem feito com muito apreço e, sobretudo, vibrar novamente com as vitórias do Esportivo ao lado de quem o incentivou a seguir a mesma paixão.. 

Fotos: Kévin Sganzerla - Fonte: NB Notícias