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Após vazamento de conversas da Lava-Jato, MPF diz que foi hackeado

Conteúdo das mensagens, segundo site responsável pela publicação, seria indicativo de que operação teve direcionamento do juiz Sérgio Moro

10/06/2019 11:22

O vazamento de conversas privadas de um grupo de procuradores da República ligados à força-tarefa da Lava-Jato movimentou o país nas últimas horas. O conteúdo das mensagens, retiradas de chats no aplicativo Telegram, foi publicado neste domingo, 9, pelo site The Intercept Brasil, que garante ter ainda uma grande quantidade de material que, em breve, deve se tornar público. As informações, de acordo com o portal, apontam que os membros do Ministério Público Federal, durante o andamento de investigações, mantinham contato com o juiz Sérgio Moro, que inclusive teria orientado ações do grupo.

Além disso, um dos pontos principais da denúncia é a aparente mobilização dos procuradores para barrar uma entrevista de Lula – já preso em Curitiba – para a Folha de São Paulo, o que poderia ter impacto eleitoral. Segundo o Intercept, a procuradora Laura Tessler afirmou: "Que piada!!! Revoltante!!! Lá vai o cara fazer palanque na cadeia. Um verdadeiro circo. E depois de Mônica Bergamo, pela isonomia, devem vir tantos outros jornalistas… E a gente aqui fica só fazendo papel de palhaço com um Supremo desse…". Outra procuradora, Isabel Groba, respondeu da seguinte maneira: "Mafiosos!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!". Uma hora mais tarde, a procuradora Laura Tessler escreveu: "Sei lá…Mas uma coletiva antes do segundo turno pode eleger o Haddad".



Nesse cenário, os promotores teriam até discutido alternativas para prejudicar a entrevista, conforme a reportagem. Entre as sugestões, estariam as ideias de transformá-la em uma coletiva ou até mesmo buscar meios para que a Polícia Federal a autorizasse somente para um momento posterior à eleição de 2018.


Ainda de acordo com o Intercept, mensagens atribuídas a Deltan Dallagnol, chefe dos procuradores da Lava Jato, sugeririam dúvidas sobre a solidez da denúncia contra o ex-presidente Lula no caso do triplex de Guarujá, apenas quatro dias antes de ela ser oferecida ao então juiz Moro.

O que diz Sérgio Moro


Além de lamentar a não divulgação da fonte que teria entregue as informações ao Intercept, o agora ministro da Justiça Sérgio Moro também afirma que, no conteúdo das mensagens que citam seu nome, "não se vislumbra qualquer anormalidade ou direcionamento da atuação enquanto magistrado, apesar de terem sido retiradas de contexto e do sensacionalismo das matérias, que ignoram o gigantesco esquema de corrupção revelado pela Operação Lava Jato".

O que diz a Lava Jato


A força-tarefa da Lava Jato divulgou uma nota declarando que seus integrantes foram vítimas de ação criminosa de um hacker, que teria praticado os mais graves ataques à atividade do Ministério Público, à vida privada e à segurança de seus integrantes. Segundo o comunicado, o hacker invadiu telefones e aplicativos dos procuradores da Lava Jato e teve acesso à identidade de alguns deles.

O que diz a defesa de Lula



A defesa do ex-presidente Lula, por sua vez, divulgou nota em que diz que "a atuação ajustada dos procuradores e do ex-juiz da causa, com objetivos políticos, sujeitou Lula e sua família às mais diversas arbitrariedades". "Ninguém pode ter dúvida de que os processos contra o ex-presidente Lula estão corrompidos pelo que há de mais grave em termos de violações a garantias fundamentais e à negativa de direitos. O restabelecimento da liberdade plena de Lula é urgente", continua o texto.

Fotos: Reprodução - Fonte: