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EDUCAÇÃO: Mesmo à distância, escola se mantém ativa e presente na vida dos alunos

A instituição de ensino Mestre Santa Bárbara, de Bento Gonçalves, prega a cooperação entre os profissionais em prol dos alunos e não abdica de prezar pela solidariedade e manter laços com os estudantes em meio ao atual cenário.

05/08/2020 07:28

A pandemia do novo coronavírus afastou os alunos das escolas. A energia dos estudantes, que preenchia as salas de aula e os corredores, deu lugar ao silêncio. A paralisação de mais de quatro meses atingiu de forma significativa a vida acadêmica dos jovens, e fez com que as instituições de ensino se reinventassem para diminuir o impacto da pandemia. A Escola Estadual Mestre Santa Bárbara é um exemplo efetivo de que, mesmo com a quietude que paira sobre os espaços de suas estruturas, a instituição permanece ativa e, sobretudo, “viva” no dia-a-dia dos alunos. 

A cooperação, a solidariedade, a empatia e a prestatividade são alguns dos pilares que a escola de Bento Gonçalves buscou manter, mesmo à distância, para fornecer o melhor ensino aos discentes, motivá-los e auxiliá-los neste atual cenário. Para isso, o corpo docente teve que se reinventar. O esforço redobrado para atender as necessidades dos estudantes ultrapassou qualquer rotina de aulas presencias. “Estamos fazendo muito mais do que fazemos na sala de aula. É um esforço gigantesco que estamos fazendo para que os alunos não sejam prejudicados”, pondera Jucele Glowacki, professora de matemática da escola. 

Antes mesmo do governo do Estado direcionar as aulas das escolas públicas estaduais por meio da plataforma do “Google Classroom”, professores do Mestre já trabalhavam com outras ferramentas, tendo em vista manter uma rotina de estudos aos alunos. 

Também de forma online, a instituição preparou assembleias de pais que, segundo a professora Marciela Gabana, foi de fundamental importância para manter os estudantes engajados. “Elas foram feitas justamente para falar dessa importância do acesso (à plataforma), de manter as atividades em dia, de criar um cronograma de estudo, inclusive as professoras estão orientando os alunos a criar isso, como se eles realmente estivessem aqui na escola”, salienta.

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Além do conteúdo em si, os professores mantiveram a relação de afeto e de empatia com os alunos, procurando fortalecer a motivação e entender como estão lidando com a paralisação. “Muitas vezes eles acabam relatando para as professoras o quanto estão se sentindo deprimidos. Desta forma, a professora, além da carga da preocupação com o conteúdo, com a parte cognitiva do aluno, também está atendendo os alunos no privado para conversar sobre assuntos emocionais, para conseguir orientá-los”, explica Marciela. 

Família + Escola + Professores

Os esforços da direção e do corpo docente da instituição estiveram voltados para auxiliar os alunos a interagirem com a plataforma disponibilizada pelo Governo. Apesar disso, há cerca de 140 estudantes que ainda não acessaram a ferramenta por motivos diversos.  

Antes da plataforma disponibilizada pelo Governo, os professores do Mestre utilizavam outras ferramentas, sobretudo para a realização de aulas por videoconferência. “No início, quando era novidade, todos participaram. Passaram algumas semanas e essa galera debandou. Talvez não levaram tão a sério, não teve a participação da família. Antes utilizávamos por nossa conta.  Depois o Estado disponibilizou o Classroom, com salas de aulas para nós e, quando vimos que a escola foi atrás das famílias, eles começaram a voltar”, comenta o professor Eduardo Pompermayer. 

A professora Marciela salienta que os casos em que o acesso à plataforma se tornou efetiva foi com os estudantes que contavam com a participação da família na retaguarda. “Um dos pontos que mais tem contribuído para o sucesso das aulas e da parte de aprendizagem dos alunos é justamente naquelas que o vínculo da escola, família e professor se estabeleceu com mais intensidade”, ressalta. 


O empenho em prol dos alunos também partiu de alguns professores que souberam dominar a ferramenta em relação a outros que tiveram dificuldades em se adaptar. A exemplo de Jucele, em uma ação colaborativa, a professora organizou um tutorial para auxiliar os demais professores a utilizar a plataforma. “Sempre pensamos primeiro no aluno, independente de como damos aula, e na medida que nossos colegas também não conseguem passar o conteúdo aos alunos e não tem interação com eles, esses não estão aprendendo, então isso foi o que nos motivou a fazer essa ação solidária com o colega”, explica. 

Além disso, a direção e os professores auxiliam as famílias e os alunos a dominarem a ferramenta para o melhor aproveitamento dela para o aprendizado. Em certas situações, profissionais de ensino da escola se prontificaram a ensinar presencialmente alunos que não possuíam conhecimento da plataforma ou pouco tinham acesso a ela.

“Quanto mais passa a pandemia mais a gente nota que as pessoas são importantes na educação”, afirma o professor do Mestre, Eduardo Pompermayer

Assim como no caso dos estudantes, o psicológico dos profissionais de ensino também foi atingido com a paralisação da pandemia. Além disso, desafiou qualquer professor a se reinventar neste atual cenário para proporcionar aos alunos a melhor forma de aprendizado em meio às significativas limitações. 

Para o professor Eduardo, a pandemia mostrou, sobretudo, a importância do profissional de ensino para o ser humano. “Quanto mais passa a pandemia, mais a gente nota que as pessoas são importantes na educação. Conteúdo online sempre teve e sempre vai ter, talvez o google saiba mais do que eu sobre história, mas meu aluno não está afim de saber tudo sobre história, vai ser muito mais legal para ele se eu ensinar história, se a Jucele ensinar matemática, se a Marciela ensinar física, e isso que vai fazer diferença”, reforça. 

Por isso, a escola não abdicou de fornecer momentos que proporcionassem afeto e empatia em meio ao atual cenário. Mesmo de forma paliativa, à distância, os professores buscam manter contato e o vínculo com os alunos para mantê-los engajados com os estudos. “O conteúdo faz parte da vida, mas esse contato físico, próximo, de companheirismo, de coleguismo, de viver em sociedade é fundamental. O importante é valorizar o ser humano como um todo. Com essa pandemia percebemos que vale a pena a gente reforçar nossos laços afetivos”, salienta a diretora da escola, Margarida Mendes Protto. 

Com aulas que vão além do conteúdo programado, a escola, que está prestes a completar 65 anos de atuação em Bento Gonçalves, visa proporcionar bons momentos, mesmo que à distância. Os professores, com o objetivo de diminuir os impactos da pandemia na vida acadêmica dos estudantes, se mostram compreensíveis às dificuldades. “Os alunos que não estão acessando a plataforma, que procurem a escola, que eles se sintam à vontade, assim como os pais também para nos procurar. Nada está perdido, os professores estão sendo bem flexíveis com as atividades e estão auxiliando muito os alunos”, ressalta Jucele. 


Ações em meio à pandemia

O atual cenário afastou os alunos da escola, mas a instituição ainda não se afastou deles. Com diversas ações, o vínculo entre os estudantes e a escola Mestre Santa Bárbara ainda são preservados. Com exemplifica a diretora, o Mestre promoveu lives com profissionais da saúde e com diversos temas para auxiliar os jovens em meio à pandemia. 

As ações solidárias também foram conservadas. Diante da enchente que atingiu milhares de famílias nos municípios próximos de Bento Gonçalves, o Grêmio Estudantil, juntamente com os professores e diretores, arrecadou doações, como produtos de higiene e limpeza, além de outros mantimentos. Também, parte do dinheiro destinado à merenda foi revertido em cestas básicas, que foram distribuídas pela direção e pelo conselho escolar às famílias necessitadas. 

Além disso, já projetando o retorno dos alunos à instituição, fato que ainda não há expectativas para ocorrer, devido aos números crescentes de casos e mortes por Covid-19 no Estado, a escola promoveu diversas melhorias em suas instalações. O Mestre também já trabalha para se adequar às restrições e exigências previstas para o combate ao coronavírus. 

Fotos: Kévin Sganzerla - Fonte: NB Notícias