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EMPREGOS: Pandemia fechou mais de 2.300 vagas em Bento Gonçalves

Deste total, mais de mil postos de trabalho foram fechados na Indústria e mais de 800 no Comércio, setores mais atingidos na Capital do Vinho.

09/08/2020 10:33

Desde março, o saldo entre contratações e demissões em Bento Gonçalves tem registrado números negativos que, no acumulado até junho, mostram o fechamento de 2.303 vagas formais. São os efeitos da pandemia no mercado de trabalho, aponta estudo do Observatório da Economia (OECON), a partir dos dados liberados no final de julho pelo Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged).

O núcleo criado pelo Centro da Indústria, Comércio e Serviços de Bento Gonçalves (CIC-BG) tem como função, além de analisar dados econômicos, oferecer um panorama da situação financeira imposta pela covid-19 não só ao município, mas também ao Estado e ao país. Um dos motivos de seu surgimento está ligado a auxiliar o CIC-BG e o poder público para entender como está sendo projetada a situação do Estado a partir dos protocolos do sistema de bandeiramento. “Com a regionalização da autonomia dos territórios dada pelo governo através do Distanciamento Controlado, a economia será um dos três pilares de sustentação para nossa macrorregião, juntamente com a saúde e com as estatísticas dos critérios adotados pelo governo. Isso nos permite ter uma radiografia do município e da região. Outro motivo é para termos condições de monitorar o futuro do país quanto ao seu endividamento, face aos recursos emergenciais liberados para combater a pandemia, o que afeta também o município e o Estado em uma projeção a longo prazo”, diz o presidente do CIC-BG, Rogério Capoani.

Os números analisados pelo observatório criado pelo Centro da Indústria, Comércio e Serviços de Bento Gonçalves (CIC-BG) indicam que houve uma redução de 3% na quantidade de empregos formais de dezembro de 2019 (44.277) para junho de 2020 (43.093). São números próximos aos de dezembro de 2016 (42.885), quando o país se encontrava em recessão econômica. “Se o ritmo de crescimento identificado de janeiro e de fevereiro, com saldo positivo de 641 e 478 respectivamente, tivesse permanecido, muito provavelmente em 2020 ultrapassaríamos o número de 2014 (43.725), quando se obteve o ápice na cidade na geração de empregos formais”, avalia um dos estudiosos do OECON, o professor da Universidade de Caxias do Sul (UCS) Fabiano Larentis.

Entre março e junho, a indústria foi o setor que mais contribuiu para o saldo negativo (-1.073), representando 47% do total. Na sequência, aparecem o setor de serviços (-870) e o comércio (-284). Já em junho, a indústria voltou a ter saldo positivo (44), com serviços (-31), comércio (-18) e construção (-13) respondendo pelos maiores saldos negativos.

Segmentos mais impactados

No início da pandemia, em março, os primeiros impactos foram sentidos com maior intensidade nos segmentos de fabricação de bebidas (saldo de -106), de produtos alimentícios (-100) e de transporte e armazenagem (-50), seguidos pelo comércio varejista (-37) e pelos serviços de alimentação (-36). Em abril, pior mês do primeiro semestre, o somatório dos cinco segmentos com maiores saldos negativos foi de -756, com liderança para a indústria moveleira (-291). Na sequência, aparecem serviços de alojamento (-165), fabricação de produtos de borracha e plástico (-127), fabricação de máquinas e equipamentos (-88) e serviços de alimentação (-85).

A partir de maio, os números começaram a melhorar. Juntos, os cinco segmentos mais impactados tiveram saldo de -332. Além de fabricação de móveis (-117), serviços de alimentação (-88) e fabricação de produtos de borracha/plástico (-47), destacaram-se negativamente comércio varejista (-44) e fabricação de bebidas (-36). Em junho, o acumulado dos cinco segmentos que mais demitiram ficou em -65, sendo liderado pela área de alimentação (-20), com saldos positivos voltando a aparecer mais fortemente na fabricação de móveis (52) e na fabricação de produtos de borracha/plástico (41). “Algumas das atividades com maior saldo negativo entre admitidos e desligados voltaram a contratar mais”, analisa Larentis.

Os meses da pandemia também podem ter seu impacto medido pela verificação dos saldos negativos e positivos acumulados, tendo como referência cinco atividades em cada situação. De janeiro a junho, os maiores saldos negativos de cada mês totalizaram 1.542 empregos a menos, com o acumulado positivo de 1.002, uma diferença de -540 empregos. “Quando consideramos março a junho, a diferença entre os cinco maiores saldos negativos e os maiores saldos positivos é de -1.170, 2,2 vezes a mais na comparação com o período anteriormente considerado, mais uma evidência do impacto da pandemia”, assegura.

Para também medir os desdobramentos da pandemia, o OECON analisou as 10 atividades econômicas com maiores saldos positivos e negativos de admitidos e desligados em dois períodos distintos, de janeiro a junho e de março a junho. No primeiro semestre deste ano, o total negativo (-1.012) teve contribuição principalmente de serviços de alojamento (-236), alimentação (-193), fabricação de móveis (-147) e comércio varejista (-127). Na outra ponta, o saldo positivo foi de 106 empregos, devido principalmente às contratações do setor de fabricação de produtos de metal (38) e de manutenção de equipamentos (20). Com isso, houve uma diferença de -906 empregos.

Essa conta quase dobra se analisada a partir dos dados coletados entre os meses de março a junho, atingindo saldo de -1.703 postos de trabalho. “Isso representa 74% do saldo total no mesmo período (-2.303)”, observa Larentis. Os setores que mais contribuíram para isso foram fabricação de móveis (-323), alimentação (-229), alojamento (-228), comércio varejista (-208), fabricação de bebidas (-161), transporte e armazenagem (-150) e fabricação de produtos alimentícios (-144). Também aparecem entre as 10 atividades a fabricação de produtos de borrracha/plástico (-112), a fabricação de máquinas e equipamentos (-108) e a construção civil (-58).

O professor também reforça que apenas seis setores tiveram saldos entre admissões e demissões iguais ou superiores a zero nesse mesmo período – fabricação de produtos químicos, fabricação de produtos de madeira, eletricidade e gás, serviços de escritório, agropecuária e outras atividades de serviços.


Fotos: Divulgação - Fonte: Exata Comunicação/Divulgação