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Ex-coordenador de gabinete afirma que Camerini controlava rede de fake news

No primeiro depoimento prestado à CPI, ex-servidor disse que vereador cobrava dos funcionários o uso de perfis falsos e a criação de conteúdos inverídicos para ataques virtuais

10/06/2019 10:05

A CPI das Fake News teve início na tarde desta segunda-feira, dia 10, na Câmara de Vereadores de Bento Gonçalves. Em sua primeira oitiva, a Comissão Parlamentar de Inquérito ouviu o ex-coordenador de gabinete do vereador Moacir Camerini (PDT), investigado pela suposta disseminação de conteúdos inverídicos e pela manutenção de perfis falsos usados para ataques virtuais. Em seu depoimento, o ex-servidor Dênis Alex de Oliveira afirmou que o parlamentar sabia e, inclusive, cobrava constantemente que os então funcionários usassem destes recursos, inclusive utilizando a estrutura da Casa para a prática.

Segundo ele, caso a equipe não seguisse a determinação, o trio de assessores que atuava no gabinete era ameaçado de demissão. Conforme explicou ao responder as perguntas dos membros da Comissão, além de perfis falsos no Facebook, dos quais Camerini teria pleno conhecimento e acesso, também era comum a divulgação de conteúdos como memes, montagens e informações mentirosas via WhatsApp, com o foco de atingir outros edis e membros do Executivo. "A gente era cobrado para fazer os perfis, mas o que mais se propagava era pelo WhatsApp. No início, os perfis não eram para atacar pessoas, mas depois o vereador foi mandando a gente usar para isso também", destaca, ressaltando que inicialmente as páginas eram usadas somente para propagar os trabalhos do parlamentar. A denúncia aponta ainda que, em alguns casos, os conteúdos eram criados e difundidos pelo próprio político, para contatos pessoais e em grupos que reuniam várias pessoas. 

Como abriu mão de ser representado por um advogado, Camerini não pode fazer questionamentos diretamente ao ex-assessor e não aceitou que as indagações fossem encaminhadas por escrito para serem lidas pela Mesa. Mesmo tendo sido comunicado anteriormente, ele tentou alegar que estava sendo proibido de se manifestar, mas, depois dos esclarecimentos do presidente da CPI, a reunião foi encerrada. Nas próximas semanas, o próprio parlamentar será ouvido, assim como seus outros dois ex-assessores.

Ao final da sessão, o vereador Anderson Zanella (PSD) apresentou requerimento verbal aos demais integrantes, solicitando a quebra de sigilo dos celulares do vereador e dos assessores, bem como dos computadores do gabinete. A medida foi aprovada por todos os outros quatro membros da CPI.

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