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A capacidade de perceber a beleza e estilo de vida no dia dia

Assunto será tema de debate ao vivo nesta terça-feira, 17, às 20:00 no programa "De papo com a Jaque".

11/09/2019 03:57

Não é fácil descrever o conceito de beleza. Inúmeros pensadores e filósofos já tentaram fazer isso com maior ou menor sucesso. É um padrão estético? Uma combinação da cor e da forma? Um sentimento? Ou um prazer espiritual? O psicoterapeuta e filósofo italiano Piero Ferruci, com a sua teoria da inteligência estética, propõe uma maior compreensão do que é a beleza a partir da reflexão sobre a feiura e os efeitos que ela tem sobre nós.

A violência contra os animais, os maus-tratos infantis, as guerras, as catástrofes e os danos contra a natureza; muitas vezes é necessário se deparar com a feiura destrutiva para entender o que é a beleza e deixar de vê-la como algo superficial, sentimental ou ambíguo. Seja o que for a beleza, ela parece possuir um extraordinário poder curativo da alma.

A inteligência estética é uma maneira de entender o que é belo

Neste ponto, costuma-se ter a dúvida de por que algumas pessoas acham algo extremamente belo, e para outras essa mesma coisa não tem nenhuma beleza. Existem muitas ocasiões em que alguém encontra a beleza onde outra não consegue enxergá-la. Isso é, basicamente, a inteligência estética: ver o belo onde outras pessoas não veem nada.

A inteligência estética diferencia três componentes principais que definem o grau de percepção estética. Eles são basicamente a compreensão estética, a profundidade da experiência e a capacidade de integrar a beleza. Estas três variáveis acontecem em graus e maneiras diferentes em todos nós.

A categoria estética

Quem possui uma gama estética mais ampla pode notar a beleza em mais situações. Por exemplo, existem pessoas que não veem a beleza somente na música, mas também na poesia, em um filme, uma paisagem, na decoração de uma casa ou no som da chuva no telhado ou ate mesmo na arte de tatuar.

São pessoas capazes de notar a beleza nas mil situações simples da vida cotidiana. Esta forma de entender a beleza não é comum a todas as pessoas, e pode ser que este fato derive na banalização da beleza, em termos gerais, como algo restrito à aparência física.

A profundidade da experiência

A experiência da percepção da beleza também varia de uma pessoa para outra. Notar a beleza pode “tocar” vagamente alguém que a enxerga, sem comovê-la. Ela experimenta isso como algo “externo” à sua pessoa, e não é influenciada de uma maneira muito relevante.

No entanto, a mesma característica bela de uma coisa pode despertar algo bastante intenso em outras pessoas. Existem momentos em que a beleza impregna todo o nosso ser; ela nos surpreende e provoca sentimentos difíceis de explicar devido a sua intensidade. Não sabemos explicar como ela nos faz sentir. É uma emoção de prazer bastante intensa.

A capacidade de integrar a beleza

A capacidade de integrar a beleza percebida explica por que existem belezas que “tocam” e belezas que “modificam”. Tentamos integrar a beleza quando ela não só nos toca, mas também nos modifica, altera o nosso pensamento e modo de vida.

“Depois de experimentá-la, a beleza continua trabalhando dentro de mim; ela influencia a forma de me relacionar com os outros, de agir no mundo, e inclusive a minha relação com o planeta onde vivo. Vejo e sinto as conexões de uma experiência de beleza. Ela acontece em todos as áreas da minha vida”.

                                                                                     – Piero Ferruci –



Fotos: Divulgação - Fonte: amenteemaravilhosa