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Dia do Colono e Motorista: Produtores rurais contam suas histórias de luta

Cooperativa Garibaldi tem atualmente mais de 400 famílias de agricultores associadas que comemoram neste sábado, 25, o seu dia.

24/07/2020 08:38

Para uma empresa que tem no ramo agro a essência de seu negócio, como é o caso da Cooperativa Vinícola Garibaldi, a terra representa a fertilidade socioeconômica de todos cooperados. É dela que se extrai seus premiados espumantes, seus respeitados vinhos e seus refrescantes sucos, uma responsabilidade cultivada pelas mais de 400 famílias de colonos associadas, que comemoram neste sábado, 25, o seu dia.

O trabalho com a terra tem, em muitos casos, o poder de unir famílias. E, de geração para geração, perpetuar a lida na roça, como é o caso da família Giovanaz, de Marcorama. Na propriedade, Valdecir, 49 anos, aprendeu com o pai, Marcolino, 81, o ofício para cuidar das uvas e fazer da agricultura familiar o sustento dos Giovanaz.

Toda a produção, espalhada por cerca de 4,5 hectares, é enviada para a cooperativa. Nesta área, eles cultivam mais de cinco variedades de uvas, entre elas a comum Isabel e a vinífera Cabernet, que rendem cerca de 100 mil quilos por safra. “Aqui, sempre tem trabalho”, diz Valdecir. Essa é uma frase recorrente para quem lida com a terra. Não importa o clima, frio ou calor, o colono está lá, cuidando da produção. “Para nós, sempre é dia de trabalho”, comenta, provavelmente antecipando a forma como comemorará a data dedicada a seu ofício.

Essa dedicação à terra é a expressão do trabalho do colono. É um cuidado que perpassa a produção e mira a qualidade, cada vez mais recuperada a partir de manejos em sintonia com o meio ambiente. Na propriedade de Rosângela Bettú Lazzari, a terra recebe tratamento holístico, numa verdadeira simbiose entre homem, natureza e universo. Produtora de uvas orgânicas desde 2008, ela tem se dedicado também à produção de biodinâmicos, sendo uma das fornecedoras para os exclusivos espumante e suco da linha Astral da vinícola, pioneiro no Brasil com certificação internacional, elaborados com esse tipo de uva.

O produto, além de diversificar a agricultura familiar, sendo mais uma alternativa de renda, aponta para a necessidade de uma produção cada vez mais em diálogo com a sustentabilidade. “Vejo como uma questão social e de responsabilidade do ser humano com o meio ambiente, com mais consciência, trabalhando a recuperação do solo, dar mais vida a ele e, consequentemente, ao desenvolvimento melhor das plantações. Passamos muito tempo sem um controle do meio ambiente, agora está na hora de devolvermos esse equilíbrio a ele”, observa Rosângela, também técnica agrícola.

O cultivo dos biodinâmicos em sua propriedade começou em 2016. Para quem já trabalhava com orgânico, foi natural o ingresso nesse tipo de cultivo, que é ainda mais restritivo no uso de insumos – o adubo, por exemplo, é um composto biodinâmico que contém, entre outras substâncias, plantas medicinais e é preciso observar a influência dos astros no cultivo. É uma produção que prima pela qualidade do alimento e que está ganhando mais área de cultivo. No ano passado, Rosângela plantou mais 50 mudas de uvas biodinâmicas da variedade Chardonnay, e neste, outras 150. Quando atingirem plena produção, ela deve colher cerca de uma tonelada, diante dos atuais 300kg que produz a cada safra. “É uma produção especial, com muitas exigências”, observa.

Ao todo, contabilizando também sua produção de uva orgânica para suco, Rosângela colhe cerca de 25 toneladas por ano. Um trabalho que ganha ainda mais relevância quando analisado o fato de ele gerar alimento – e, por isso, mesmo, uma profissão que precisa ser celebrada, como no dia de hoje, mas que, como qualquer outra, também tem suas dificuldades. “Costumo pensar que se não existisse o colono as pessoas não teriam o que comer. O que alimenta as pessoas é esse trabalho aqui, faço o que gosto e sei das dificuldades. Se o pai não incentiva o filho, dizendo que a cidade é melhor, qual a motivação para o jovem ficar na colônia? Eu caminhava um quilômetro para pegar o ônibus e estudar, eu nunca achei que não dava para tirar o sustento daqui, agora tem de estar consciente que aqui também tem problema, que as coisas não caem do céu”, comenta Rosângela. “A visão de cada um é sua formação. Quem estuda traz uma resposta muito boa para a colônia, porque hoje a colônia é uma empresa rural, tem que ter controle de caixa, controle de entrada e saída, tem que ter foco e objetivo”, diz Rosângela.

Fotos: Celso Chittolina/Divulgação - Fonte: Exata Comunicação/Divulgação