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Ameaçados de extinção, cachorros-vinagre são vistos pela primeira vez no RS

Aparição dos animais, considerados os canídeos mais raros do Brasil, ocorreu no Parque Estadual do Turvo, unidade de conservação no município gaúcho de Derrubadas

14/07/2020 04:00

Localizado no município de Derrubadas, no noroeste do Rio Grande do Sul, o Parque Estadual do Turvo – Unidade de Conservação administrada pela Secretaria Estadual do Meio Ambiente (Sema) – foi palco de uma aparição inédita em terras gaúchas. Há poucos dias, em uma atividade monitoramento de fauna, o biólogo e guarda-parque Anderson Cristiano Hendgen, acompanhado, do estagiário Ademir Fick, flagrou a presença de dois cachorros-vinagre (Speothos venaticus).

De acordo com o gestor da UC, Rafael Diel Schenkel, essa espécie, difícil de ser observada em campo, é considerada rara e ameaçada de extinção. Ela não consta na lista de mamíferos do Rio Grande do Sul e não havia informações atuais ou históricas sobre sua ocorrência no Estado, o que torna o registro motivo de comemoração pelos pesquisadores. "Confirma a importância do parque e ressalta a necessidade de conservação de áreas de proteção, para que seja possível a manutenção de espécies de fauna, o que também possibilita descobertas relevantes como esta. Dessa forma, podemos ver o principal objetivo do parque, a proteção da biodiversidade, sendo cumprido”, afirma Schenkel.

O encontro com o animal silvestre no início de julho foi uma grande surpresa. Em um primeiro momento, a dupla não havia percebido que se tratava de uma raridade. "Como na hora achamos ser outra espécie, não demos muita importância, pois a irara é aparentemente comum no parque. Nem passou pela minha cabeça que poderia ser uma espécie nova", relata Hendgen.

O biólogo, que costuma usar as redes sociais como ferramenta de educação ambiental, compartilhou então os registros feitos da espécie observada. Um pesquisador entrou em contato perguntando se haviam mais imagens, pois ele suspeitava que seria uma espécie nova para região, o tão ameaçado cachorro-vinagre.

Na Mata Atlântica, os únicos flagrantes da espécie eram oriundos do estado de São Paulo e também do Paraná. A espécie também se distribui por países vizinhos como Paraguai, Argentina, Bolívia, Peru, Equador e Panamé. No Brasil, existem populações desse canídeo em quatro domínios naturais: Amazônia, Pantanal, Cerrado e Mata Atlântica.

Com mais de 17 mil hectares, o Parque Estadual do Turvo é o maior e mais representativo fragmento de Mata Atlântica do Rio Grande do Sul. O local é refúgio de outros mamíferos ameaçados, como a onça-pintada (Panthera onca), maior felino das Américas, e a anta (Tapirus terrestris), o maior mamífero herbívoro terrestre do Brasil.

Características

O cachorro-vinagre, também conhecido como cachorro-do-mato-vinagre, é o menor representante da família Canidae no Brasil. O animal é inconfundível, pois se diferente totalmente dos seus parentes mais próximos, que são: o cachorro-do-mato (Cerdocyon thous), graxaim-do-campo (Lycalopex gymnocercus), raposinha-do-campo (Lycalopex vetulus), lobo-guará (Chrysocyon brachyurus) e cachorro-do-mato-de-orelhas-curtas (Atelocynus microtis), outro canídeo extremamente raro.

De porte pequeno, apresenta as pernas curtas e robustas, orelhas redondas, cauda curta e pode pesar até 7 quilos. A pelagem é castanha com tons avermelhados, o dorso é mais escuro que a região ventral. Acredita-se que as características morfológicas deste canídeo seja uma adaptação da espécie para caçar presas em tocas no ambiente florestal em que vive. Na dieta deste carnívoro, encontram-se principalmente tatus e roedores de pequeno e médio porte.

O cachorro-vinagre pode ser avistado sozinho, mas geralmente vive aos pares ou em pequenos bandos com pouco mais de dez indivíduos. Pesquisas apontam que este canídeo já se adaptou a viver em áreas que sofreram impactos pelo homem, mas na grande maioria das vezes ela está associada à áreas preservadas, quase intactas.

Fotos: Anderson Cristiano Hendgen-Ademir Fick/Divulgação Sema - Fonte: