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Bancos 100% digitais começam a ganhar espaço no mercado

Público jovem e de classes econômicas mais elevadas estão entre os clientes que mais aderem aos serviços online oferecidos.

24/07/2019 02:01

Os bancos totalmente digitais e as fintechs já são responsáveis por mais de 20% do mercado de cartões de crédito no Brasil. A velocidade com que as startups do setor financeiro crescem leva à previsão de que elas não precisarão de muito tempo para assumir a liderança do ramo, desde sempre ocupada pelos grandes bancos.

Levantamento da aceleradora Finnovista, em parceria com o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), revela que os bancos digitais tiveram um crescimento anual de 147% no mercado brasileiro, no primeiro semestre de 2018. Outra pesquisa, deste ano, da CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas) e do SPC Brasil (Serviço de Proteção ao Crédito), mostra que para mais da metade (53,7%) brasileiros, a economia com taxas e manutenção de contas é o principal atrativo desses serviços digitais. De acordo com o estudo, 21,5% dos cartões de crédito do Brasil são de fintechs ou bancos 100% digitais, contra 75,8% de instituições bancárias tradicionais. Por conta da complexidade da tecnologia, a adesão aos novos modelos de pagamento é maior por jovens de 18 a 35 anos (32,4%), das classes A e B (85,2%).

Para equilibrar a isenção de taxas e o cashback sem ficar no vermelho, as fintechs investem em eficiência operacional baseada em tecnologia de última geração — um grande diferencial competitivo em relação aos bancos tradicionais. Vale dizer que as startups também recebem parcela correspondente a cerca de 5% do valor de cada compra paga pelo lojista (percentual dividido com a bandeira do cartão e com a empresa de maquininha) e juros cobrados por atraso no pagamento das faturas.

Líder no setor, o Nubank criou toda a tecnologia de sua operação dentro de casa. E por não ter vínculo com terceiros, a fintech afirma ter autonomia para atualizar suas soluções sempre que julgar necessário.Com o investimento em inovação, a empresa também mantém sua eficiência operacional, garante Vitor Olivier, vice-presidente de consumo do Nubank. Até o momento, a startup já captou US$ 420 milhões em sete rodadas de investimento. “O caminho mais rápido para lançar um produto é terceirizar o seu desenvolvimento, mas para adaptá-lo de acordo com o que o cliente quer fica muito mais difícil”, explica. Com 10 milhões de clientes, a fintech passou a testar na semana passada a conta para pessoas jurídicas, com foco em pequenos empreendedores, também sem cobrança de anuidade e tarifas de manutenção de conta. “O modelo utilizado pelo Nubank é uma transformação cultural que vem do Vale do Silício, com um pensamento a longo prazo. Os bancos durante muito tempo usaram as agências físicas. Hoje, temos as agências de bolso”, compara o executivo.

A Neon também lançou recentemente uma conta para pessoa jurídica e deve anunciar a opção de folha de pagamento para os empreendedores e crédito pessoal para pessoa física (que acumula 2 milhões de usuários) nos próximos meses.De acordo com Guilherme Lorensini, diretor de negócios da Neon, a rentabilidade do negócio vem das taxas cobradas por transação, dos juros por atraso no pagamento das faturas e por desenvolver a própria tecnologia. “A maior parte de nossa infraestrutura é desenvolvida internamente e, por isso, um dos maiores times da Neon é o de TI, composto principalmente por desenvolvedores”, destaca Lorensini.

Consumidor tem que ter atenção com o endividamento

Vantagens à parte, antes de emitir um cartão de crédito é importante avaliar a sua real necessidade e atentar-se ao vencimento da fatura para não se comprometer financeiramente, alerta José Vignoli, educador financeiro do SPC Brasil. “Não é porque o cartão é simples que é mais barato. Às vezes, vale a pena negociar com o banco tradicional. O bom de haver mais participantes no mercado de cartão de crédito é que o consumidor tem mais poder de barganha”, reforça.

O educador destaca também que, apesar de grande parte das fintechs oferecer cartões sem taxas e anuidade, ter vários deles nem sempre é um bom negócio. “Para emergência, o bom é ter pelo menos dois. O excesso [de cartões] dificulta o controle de gastos e aumenta o risco de endividamento”, finaliza Vignoli.

O uso do cartão de crédito no Brasil

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Fotos: Divulgação - Fonte: Divulgação